Curiosidades sobre a Banana

Países pobres submetidos a governos arbitrários e corruptos são freqüentemente taxados no mundo rico e industrializado de “república de banana” (banana republic), em alusão aos países da América Central, grandes produtores da fruta, que eram até recentemente governados por oligarquias locais submetidas aos interesses de empresas estrangeiras, como a norte-americana United Fruit. Não fosse pela sua óbvia intenção pejorativa, o título poderia se adaptar com perfeição ao Brasil, que é o primeiro mercado consumidor dessa fruta e o segundo maior produtor mundial, atrás apenas da Índia e na frente do Equador.

Banana

As bananas são encontradas em todo o território nacional, sendo especialmente cultivadas no Sudeste e no Nordeste. No total, são mais de 520 mil hectares de área plantada e uma produção estimada em 6 milhões de toneladas por ano – quantidade que abastece o mercado interno e ainda serve para a exportação.

Segunda fruta mais consumida no país, perdendo apenas para a laranja, a banana, com seu alto poder nutritivo e seu baixo preço, ajuda a suprir a carência de vitaminas e sais minerais de grande parte da população. Além disso, tem as vantagens de ser encontrada durante todo o ano, de nascer em todo tipo de solo e de nunca “dar bichos”.

Planta da espécie Musa paradisiaca L., da família das musáceas, a banana é originária da Índia, onde surgiu há milhares de anos. Nos primórdios, a banana possuía sementes, mas, com o passar do tempo, foram sendo selecionadas as variedades sem sementes para o cultivo. Hoje, com exceção de raríssimas variedades silvestres, não é mais possível encontrar bananas com sementes, e a sua propagação se faz exclusivamente por processo vegetativo.

Trazida para o Ocidente pelos comerciantes árabes, que a batizaram de “banan” (que quer dizer “dedo”), ela era usada como principal alimento durante as viagens marítimas desse povo. Das costas do Atlântico, das Ilhas Canárias e das matas da Índia e da Indochina, onde começou a ser cultivada, a banana chegou até o Brasil com os portugueses e espanhóis.

Aqui, os índios a batizaram de pacoba ou pacova (do tupi “pa’kowa”, que quer dizer “folha de enrolar”), nome mais usado hoje nas regiões Nordeste e Norte para designar uma variedade de banana muito parecida com a banana-da-terra.

Consumida ao natural, frita, assada ou cozida, usada para o preparo de uma farinha nutritiva (feita com bananas verdes) e empregada como ingrediente de uma infinidade de pratos doces e salgados, ou até mesmo para a fabricação de uma bebida típica dos caiçaras, a banana tornou-se um valioso alimento dos brasileiros e um símbolo das culturas tropicais.

Confira, a seguir, as principais variedades de banana existentes no país, todas elas pertencentes à espécie Musa paradisiaca, e saiba como diferenciá-las na hora de fazer a feira.

 Banana-da-terra

banana-da-terra

Também conhecida pelos nomes banana-comprida, banana-chifre-de-boi ou pacovão. É a maior banana conhecida no Brasil, com frutos que chegam a pesar 500 gramas e a ter um comprimento de 30 centímetros. No entanto, ela tem um diâmetro relativamente pequeno, deixando as bananas com uma aparência de “magras”. Além disso, são achatadas em um dos lados. A casca dos frutos tem coloração amarelo-escura e a polpa é dura e pouco açucarada, não servindo para o consumo in natura, pois torna-se bem indigesta.
Pode ser consumida assada, frita ou cozida, sendo muito utilizada no Norte e no Nordeste do Brasil. No Nordeste, é usada para o preparo da crocante banana-chips, fabricada de modo semelhante à batata-chips e vendida em saquinhos plásticos nas ruas e nos mercados. Serve ainda para o preparo de doces. Usa-se também bastante no Nordeste a variedade pacova, muito parecida com a banana-da-terra, mas um pouco menor. A pacova é rara no Sudeste.
A banana-da-terra tem plantio limitado, pois é um cultivar de difícil manejo. Além da longa altura, é uma planta muito suscetível a pragas como a broca-da-bananeira. Esses fatores contribuem para que a planta tombe facilmente. O preço da banana-da-terra é semelhante ao da banana-figo e da banana-ouro. No Ceagesp, 1 quilo de qualquer dessas três variedades custa 1 real.
Juntas, a banana-da-terra, a banana-maçã, a banana-figo e a banana-ouro respondem por 10% da produção e do consumo total de bananas no Brasil.

 Banana-nanica

banana-nanica

Também chamada de banana-d’água, banana-da-china, banana-anã, banana-chorona, baé, banana-caturra ou banana-cambota.
É a variedade mais barata (50 centavos o quilo, no Ceagesp) e a mais consumida em todo o Brasil. Em São Paulo, por exemplo, ela representa 70% da produção e do consumo total de bananas, de acordo com Armando Destejani, da distribuidora de frutas Solamar, localizada no Ceagesp.
A banana-nanica é a variedade que tem cheiro e sabor mais acentuados, com polpa bem doce, macia e de aroma agradável. A casca é mais fina do que a da banana-da-terra e de cor amarela ou amarelo-esverdeado. Pode ser ingerida ao natural, cozida, frita (somente à milanesa, para não se desmanchar) ou assada, sendo também indicada para o preparo de compotas, doces e geléias.
O nome “nanica” não se deve ao tamanho da fruta em si, já que ela é uma das maiores bananas disponíveis no mercado brasileiro, e sim ao porte da bananeira, que é relativamente baixo diante de outras variedades. Cada cacho produz aproximadamente duzentas frutas.
Dentro dessa variedade, existem três cultivares diferentes: Nanicão, Nanica e Grande Naine. O cultivar Nanicão é o que apresenta melhor conformação dos cachos e dos frutos e, por isso, é o mais plantado atualmente no Estado de São Paulo, tanto para o consumo interno quanto para a exportação. A altura dessa bananeira é de 3 metros, com produção entre 11 e 13 pencas por cacho de bananas. A polpa dos frutos tem coloração amarelo-dourada, característica da banana-nanica de sabor e aroma mais agradáveis.
O cultivar Nanica é mais baixo e de frutos menores que o Nanicão. Os frutos também possuem formato mais curvo, o que dificulta um pouco a colheita e o armazenamento comercial dessa variedade. Já a Grande Naine é bem parecida com o Nanicão, só que as bananeiras têm porte mais baixo. É o cultivar mais plantado no mercado externo, pois responde melhor às condições de produção com alta tecnologia, sendo, porém, menos resistente a condições mais rústicas.

 Banana-prata

banana-prata

Conhecida também por banana-branca, banana-prata-anã e banana-anã-grande. É a segunda variedade mais consumida no Brasil, respondendo por 20% da produção e do consumo em São Paulo.
A banana-prata é um fruto reto, possuindo até 15 centímetros de comprimento e um formato “sextavado” (na verdade, são cinco faces). A casca possui coloração amarelo-esverdeada. A polpa é consistente, mas o sabor e o aroma são mais suaves que os da banana-nanica. Pode ser consumida in natura e é a mais indicada para o preparo de banana-passa e de bananada. Serve também para fritar e como ingrediente para diversos pratos culinários, salgados ou doces.
Dentro dessa variedade, existem dois cultivares importantes em termos comerciais: a Prata e a Prata Anã. A Prata hoje apresenta um cultivo restrito a poucas áreas, pois é extremamente suscetível ao Mal-do-Panamá, um tipo de praga que ataca os bananais. A Prata Anã, também chamada de Prata-de-Santa-Catarina, é a mais cultivada. Esse cultivar possui porte médio ou baixo, sendo uma planta vigorosa, tolerante ao frio, resistente a vários nematóides e com frutos idênticos aos do cultivar Prata.

 Banana-maçã

banana-maca

Em alguns lugares do país, a banana-maçã também é chamada de banana-branca. É a variedade mais cara (1,50 real o quilo, no Ceagesp), e por isso mesmo a menos consumida, sendo considerada uma “banana de luxo”. Tem grande aceitação no mercado, mas o problema é que seu plantio é seriamente limitado devido ao ataque do Mal-do-Panamá – o que faz com que o seu preço aumente.
A banana-maçã possui um cheiro característico, que chega a lembrar mesmo o odor da maçã. Tem polpa bastante macia, doce, branca, bastante aromática e de sabor adstringente. A casca, bem fina, tem coloração amarelo-claro e o formato dos frutos é o mais arredondado, comparativamente às outras variedades. Seu tamanho é variado, mas atinge no máximo 15 centímetros de comprimento e 160 gramas de peso.
É a banana preferida pelas mães para alimentar os bebês e a mais recomendada pelos pediatras, por sua maciez. Fica muito saborosa amassada com aveia, biscoito ralado, farinhas enriquecidas ou na forma de mingau.
Atualmente, o plantio da banana-maçã vem sendo substituído pelo cultivar Mysore, que produz frutos muito semelhantes ao do cultivar Maçã, com a vantagem de ser mais tolerante ao Mal-do-Panamá.

 Banana-ouro

banana-ouro

Conhecida também por banana-inajá, banana-najá, iniajá, banana-dedo-de-moça, banana-mosquito e banana-imperador.
É a menor banana dentre as cultivadas no Brasil, e também a mais saborosa para consumo in natura, com polpa bem doce, de sabor e odor muito agradáveis. Mede no máximo 10 centímetros, tem forma cilíndrica, casca muito fina e de coloração amarelo-ouro. É recomendada também para o preparo de doces e é muito usada para o preparo de croquetes de banana.
Seu cultivo, no entanto, é muito restrito no Brasil, pois é o cultivar mais susceptível ao ataque da sigatoka negra, doença causada pelos fungos Mycosphaerella fijiensis ou Paracercospora fijiensis.

 Outras variedades

banana-figo

No mercado brasileiro, é possível encontrar ainda outras variedades de banana, mas de forma bem rara. Um delas é a banana-figo, conhecida também como banana-sapa ou banana-roxa, e usada especialmente para frituras e para o preparo de compotas.
A banana-de-são-tomé, chamada ainda de banana-curta ou banana-do-paraíso, é outra variedade escassa no mercado. Não é muito apreciada, pois sua polpa amarelo-escura tem cheiro bastante forte. É consumida apenas cozida, frita ou assada.
Outra banana existente no país, mas não cultivada comercialmente, é a chamada banana-engana-moleque, que fica de cor amarela quando está verde. Ela é encontrada de forma selvagem nas florestas e, no interior do país, costuma causar fortes dores de barriga nas crianças que a colhem inadvertidamente nas matas.

 Você sabia que…

• A banana é um excelente “combustível” para os esportistas. Isto deve-se ao fato de essa fonte natural de energia (ao contrário do açúcar refinado, outra contribuição dos árabes para a dieta ocidental) conter, em proporções quase ideais, diversos carboidratos cuja combinação tem a propriedade de produzir gradualmente seus efeitos benéficos.

• Primeiramente, a glicose passa quase que imediatamente para a corrente sangüínea, onde é “queimada” em seguida. Por sua vez, a frutose só se decompõe duas horas após a ingestão. E, por último, o amido é absorvido pelo organismo de forma mais lenta, o que explica a sensação de saciedade prolongada que a banana produz, pois é uma fruta que contém esses três nutrientes. Por outro lado, trata-se de um alimento de baixa caloria: 100 gramas dessa fruta contêm somente 96 calorias. Sua porcentagem de gordura não ultrapassa 0,2% (a carne bovina tem 2,87%).

• A banana é uma forma ideal para se levar às regiões mais frias e temperadas a energia e as vitaminas dos trópicos. Em suas regiões de origem, a produção ocorre durante todo o ano, sem o inconveniente de vegetais e frutas sazonais disponíveis apenas em determinadas épocas do ano. As frutas são colhidas verdes e transportadas em navios ou aviões-frigoríficos, o que adia seu processo de maturação. Após o desembarque, a maturação é feita em câmaras especiais, de acordo com o próprio consumo local.

• A fruta verde contém uma fécula dura, só digerível com o cozimento e ideal para o preparo da nutritiva farinha de banana. Com o oxigênio e a temperatura das câmaras de maturação, essa fécula transforma-se em açúcar, a polpa torna-se macia e a casca adquire sua característica cor dourada.

• A banana não contém somente uma grande porcentagem de vitamina E, o seu componente mais conhecido. A presença da vitamina C também é elevada. Destaca-se, ainda, por conter vitaminas energéticas e vitaminas do grupo B, cujo consumo é importante principalmente para o sistema nervoso. Junto com elas, atua o ácido fólico, substância vital para o metabolismo e a formação de glóbulos vermelhos no sangue. Além disso, o ácido fólico serve de agente protetor contra o câncer uterino. As mulheres grávidas, e principalmente as mulheres que utilizam regularmente substâncias contraceptivas, costumam apresentar déficit na taxa de ácido fólico, sendo, portanto, aconselhável o consumo habitual de bananas.

• A banana, além de oferecer uma considerável cota de energia e vitaminas, também é rica em minerais (ferro, cobre, flúor, cálcio, fósforo), úteis para complementar as monótonas dietas compostas praticamente de proteínas e carboidratos. Seu equilíbrio energético, vitamínico e mineral permite recomendar seu consumo imediatamente após a realização de qualquer esforço físico intenso.

• O potássio, elemento mineral abundante na banana, cumpre o papel de manter o equilíbrio hidroelétrico do organismo. Além disso, fixa os ácidos estomacais e atua como protetor contra o estresse do estômago. O magnésio, também presente em elevadas porcentagens, é parte essencial da molécula de diversos reguladores metabólicos, mais conhecidos como enzimas. Quando, ao desempenhar esforços intensos, os músculos sofrem falta de magnésio, surgem cãibras paralisantes. Para evitá-las, os esportistas recorrem ao consumo de banana.